Notas de Imprensa

Entrevista ao Presidente da ACOS sobre a 34ª edição da Ovibeja

10/04/2017



Rui Garrido - Presidente da ACOS:

“Ainda há muito caminho a percorrer na internacionalização dos nossos produtos”

“Gostaríamos que a OVIBEJA 2017 fosse a mesma de sempre, mas com um cariz mais agrícola” afirma Rui Garrido, o presidente da direcção da ACOS -Agricultores do Sul, entidade responsável pela realização da OVIBEJA, a pouco menos de um mês da abertura oficial da grande feira do Sul. Com início marcado para 27 de Abril, a OVIBEJA prolonga-se até 1 de Maio, tendo nesta 34ª edição como tema principal a internacionalização dos produtos agro-alimentares de origem animal, tais como os queijos, os enchidos e os presuntos tradicionais do Alentejo. Para Rui Garrido “ainda há muito caminho a percorrer na internacionalização” dos produtos alentejanos, que “é incipiente”, mas o exemplo do azeite ou do vinho “mostra que é possível”.

A adesão dos expositores tem sido normal, notando-se, inclusivamente um aumento, relativamente aos últimos anos. Há expositores que estão a procurar-nos pela primeira vez, o que é bom sinal.

Pôr de pé toda a estrutura necessária para que a OVIBEJA se realize, ano após ano, é um trabalho que mobiliza toda a equipa da ACOS…

Sim. Na ACOS levamos quase meio ano a trabalhar noutras actividades e meio ano a trabalhar para a OVIBEJA. Este ano começámos a trabalhar com especial antecipação porque pensámos fazer algumas melhorias no Parque de Feiras em colaboração com o Município de Beja. O Parque é gerido pelas duas entidades. Houve intervenção ao nível da melhoria das instalações sanitárias. Temos também realizado algumas melhorias em termos dos pavilhões de exposição e investimos em melhorar acessibilidades e condições para os expositores no espaço do Campo da Feira.  

O Campo da feira, continua, por isso, a ser um dos pontos de desenvolvimento da OVIBEJA, aliás como tem acontecido nos últimos anos…

Sim. Fizemos ali um investimento grande, que incluiu a drenagem de todo o terreno, e a construção de caminhos de modo a criar as condições para tornar esta área num dos espaços nobres da feira. Era e é um dos nossos objectivos manter a traça da OVIBEJA, aquilo que é a sua tradição, mas também queremos torná-la mais agrícola e por isso temos estado a investir nesse sentido. O Campo da Feira fazia-nos falta para isso e, este ano, com as melhorias efectuadas, achamos que vamos conseguir dinamizar esta área.

Melhorar sem descaracterizar

E no resto? A Feira vai continuar igual a si própria?

Sim. A Feira vai continuar muito na senda das últimas edições, talvez procurando dar-lhe uma arrumação um pouco diferente este ano, em termos de expositores, melhorando-a sem a descaracterizar.

No ano passado houve problemas no acesso às bilheteiras. Estão a ser feitas algumas alterações para este ano?

Vamos abrir de novo a bilheteira que está junto ao NERBE para aliviar a concentração de visitantes que se juntavam na entrada principal. No ano passado houve problemas com as entradas quando havia muita gente, e não faz sentido que uma pessoa que se desloca 50 ou 100 quilómetros para vir à OVIBEJA, esteja depois mais de uma hora numa fila à espera de entrar na feira. São melhorias deste tipo que pretendemos fazer, mas de resto, a OVIBEJA mantém a mesma traça de sempre.

Em termos de dimensão há um aumento da área do Campo da Feira?

É para aí que a Feira se está a expandir e para onde queremos levar tudo o que é maquinaria e equipamento agrícola. Vamos lá ter também o Pavilhão das Aves, alguns campos de demonstração de cereais e de oleaginosas, demonstração de maquinaria e viatura, um helicóptero para fazer passeios, etc. Vamos tentar dinamizar aquela zona.

Relativamente aos outros espaços e pavilhões. Vão-se manter?

Tudo se vai manter. Vamos manter o Pavilhão do Cante e do Artesanato, este ano com mais expositores, os espectáculos vão decorrer durante as quatro noites, com um bom programa. O tema da OVIBEJA é dedicado à internacionalização e exportação de produtos, sobretudo na área dos produtos animais e mais virado para o sequeiro, tais como os queijos, os enchidos, os presuntos etc.

Uma das críticas que tem sido feita à OVIBEJA é que, nos últimos anos, tem diminuído a presença de alguns produtos tradicionais de qualidade.

Talvez por isso, este ano quisemos fazer um rearranjo nessa área. Vamos montar uma tenda grande ao lado do Pavilhão Terra Fértil em que se vão juntar esses expositores, de maneira a valorizar e a dar ainda mais visibilidade a esse tipo de produtos. Estivemos atentos a essas críticas e vamos tentar melhorar esse aspecto.

Seminário internacional sobre azeite

Mantém-se, claro, também o concurso internacional de azeites.

Sim. Temos também, como em anos anteriores, o Concurso Internacional de Azeites Virgem Extra – Prémio CA OVIBEJA, o único concurso internacional de azeites realizado em Portugal, e que já atingiu uma notoriedade igual à do concurso Mario Solinas, que é o mais conhecido no mundo. Tivemos este ano a concurso cerca de 150 amostras, e decidimos dinamizá-lo duma forma diferente. O júri internacional, que junta mais de 40 elementos, reuniu-se na Casa do Alentejo, em Lisboa durante dois dias e no último dia fez-se a divulgação dos resultados do concurso e uma apresentação da OVIBEJA com alguns produtos regionais. Vamos realizar o 2º Seminário Internacional de Azeites do Sul durante a OVIBEJA, com a colaboração da OLIVUM – Associação de Olivicultores do Sul, no sábado, dia 29 de Abril, altura em que vai decorrer a entrega dos prémios do concurso internacional de azeite.

Os produtos alentejanos já conseguem competir nos mercados internacionais? A exportação é já um facto ou ainda há muito a fazer?

Há ainda muito caminho a percorrer. É ainda um bocado incipiente. Ao nível, por exemplo, dos queijos ou dos enchidos a exportação é mais do que incipiente. Há países que têm regras muito apertadas e onde quase não se consegue entrar e, por isso, não é fácil. Tirando os sectores do vinho e do azeite, ainda há muito para fazer.

Como está a agricultura do Baixo-Alentejo neste começo de 2017?

Com vários problemas. Por exemplo, o do investimento. Ao nível da a Federação das Associações de Agricultores do Baixo-Alentejo (FAABA), temos vindo a batalhar, já desde antes da última OVIBEJA, na questão do investimento agrícola. Ultimamente conseguimos que algumas coisas fossem melhoradas, mas outras não. Um dos problemas sérios que temos em termos do investimento são os projectos que se candidataram durante o período 2015/2016, e para os quais não há garantia de financiamento. Os concursos tinham dotações limitadas, e se entram projectos que excedem a dotação, transitam para o concurso seguinte, mas sem garantia de aprovação. O que estamos a constatar, e já tínhamos alertado a tutela para isso, é que, sobretudo quando se trata de instalação de culturas permanentes – um olival ou amendoal por exemplo, os agricultores não conseguem ficar tanto tempo à espera. Só nesta altura estão a ser analisados projectos que entraram no último trimestre de 2015, o que é muito tempo para quem tem compromissos.

Que tipo de compromissos?

Quando eu penso fazer um olival ou um amendoal ou outra cultura permanente, tenho que encomendar as plantas, senão não as vou ter quando precisar delas, e nessa altura tenho que dar um sinal. Ou seja, quer queira quer não, o agricultor é obrigado a iniciar o investimento e, depois de ter feito a encomenda das plantas, elas vêm e, mesmo que os projectos não estejam aprovados ou nem sequer analisados, têm que ser plantadas – o que é impossível se não houver rega... Nós temos chamado a atenção para o facto das pessoas terem sido levadas a fazer o investimento sem qualquer garantia e isto já está a gerar problemas, levando os agricultores a terem que fazer empréstimos bancários e a assumirem compromissos. Esta é uma questão que nos tem preocupado. Neste momento, como durante o ano de 2016 não abriram mais concursos no PDR2020, a análise dos projectos está quase em dia, mas ainda não totalmente. Temos a garantia que vai haver novas aberturas de concursos e que vai haver algum apoio, mas, uma vez que o dinheiro é escasso, o nível de apoios ao investimento baixou bastante e as ajudas directas estão limitadas a 700 mil euros, o que é bastante limitativa para quem quer reestruturar uma exploração de sequeiro para regadio com as dimensões que temos na região.

Regadio do Alqueva vai aumentar

Há também a questão do preço da água de Alqueva e da gestão do perímetro de rega que vem de trás. Como estão estas duas questões?

Esse é outro aspecto que temos vindo a debater e que parece já ter sido resolvido. O senhor Ministro da Agricultura tinha-se comprometido a fazer alterações que já foram anunciadas e que vão fazer baixar o preço da água de Alqueva entre 20 a 33% para os agricultores. Apenas teremos que estudar com a EDIA, a possibilidade de ajustar melhor o preço para as Associações de Regantes. 

Ficaram satisfeitos com este anúncio?

Neste aspecto ficámos satisfeitos, porque é bom para os agricultores. Em aberto continua a gestão dos novos blocos de rega, que para nós é também muito importante. Achamos que se forem os agricultores a gerir esses perímetros, conseguimos melhor eficiência. Neste momento essa gestão é feita pela EDIA, que contrata empresas para o fazer, mesmo em zonas em que já existam associações de regantes com experiência na gestão da água, como em Ferreira do Alentejo ou em Montes Velhos. Esta situação tem que ser encarada muito seriamente.

E o perímetro de rega de Alqueva já está concluído ou prevê-se a sua expansão?

Essa também foi uma boa novidade que tivemos. Havia um plano de expansão de Alqueva para mais 40 mil hectares, para o qual estava a ser procurado financiamento, e foi-nos dito recentemente pelo Ministro da Agricultura que a obra vai avançar, independentemente da fonte de financiamento. É uma expansão que terá lugar quer nos distritos de Beja, quer de Évora, e que corresponde a um terço da área inicial do perímetro de rega, que era da ordem dos 120 mil hectares. E este alargamento da área de rega terá sido também um dos factores que terá permitido a baixa do preço da água para os agricultores. É uma boa notícia.

A ACOS já tem 70 trabalhadores fixos

O engenheiro Rui Garrido preside à ACOS há cerca de um ano, depois da morte prematura do engenheiro Manuel Castro e Brito, o líder carismático da Associação e da OVIBEJA. Como é que tem sido este percurso de cerca de 12 meses? Tem sido difícil?

A ACOS hoje em dia é uma casa muito grande, com actividade em diversos sectores e um quadro de pessoal constituído por quase 70 funcionários. Depois temos ainda o ADS onde trabalham cerca de 40 brigadas veterinárias e o sector da Formação Profissional com diversos formadores em regime de prestação de serviços. Temos também dinamizado o departamento técnico, apostando na diversificação dos serviços para apoio aos nossos associados. O Manuel Castro e Brito era um homem que se dedicava a cem por cento à Associação. A ACOS era quase a sua primeira casa, uma vez que felizmente tinha essa disponibilidade, o que não é o meu caso. Por isso, tivemos que dar aqui uma orientação diferente à estrutura. Criámos a figura do Director-Geral, que é na prática o director executivo, responsável pela gestão diária de toda a estrutura. Trata-se do Engº Claudino de Matos, que também já integrava os nossos quadros. Outra alteração teve a ver com a passagem do Dr. Miguel Madeira – responsável do ADS – para a Direcção. Desta forma temos conseguido dar continuidade ao trabalho, e julgo que as coisas vão funcionando bem.

E a ACOS, enquanto associação, tem-se renovado, em termos de sócios?

Temos tido sempre a adesão de novos sócios e temos mesmo aumentado muito o seu número devido a algumas actividades que, entretanto, começámos a desenvolver. Hoje em dia fazemos inspecção de pulverizadores, que é obrigatória; já realizamos leilões de gado com regularidade, que têm corrido muito bem, não só pelos preços praticados, mas pelo facto do leilão influenciar indirectamente o preço de mercado aqui na zona. Dinamizámos também o sector das lãs, comercializando-as, o que tem trazido novos sócios. Actualmente estamos em conversações com algumas cooperativas espanholas para iniciarmos mais uma actividade que tem a ver com a comercialização de borregos. Com estes parceiros queremos ganhar escala e conseguir mais valias. Pretendemos dar este passo muito em breve.

Gabinete de Imprensa da OVIBEJA,

Beja, Abril de 2017

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